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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O símbolo da Rolls-Royce completa 100 anos

A imponente estatueta pousada sobre o capô dos Rolls-Royce completa um século.

Por traz do símbolo dos automóveis mais luxuosos do mundo existe, entretanto, a história de uma paixão arrebatadora e proibida.

Uma história que começou em 1911, quando Lord Montagu de Beaulieu (John Walter Edward Douglas-Scott-Montagu) encomendou ao escultor Charles Robinson Sykes, um ornamento para o Rolls-Royce que acabara de receber. Era comum, na época, que os abastados proprietários de automóveis de luxo dessem demonstrações de status e poder, afixando obras de arte sobre o capô.

O nobre inglês tinha um relacionamento secreto com sua secretária Eleanor Velasco Thornton, mas devido às convenções sociais, não poderia se casar com ela. Numa prova de amor, decidiu homenageá-la, solicitando ao artista uma escultura que representasse sua amada sentindo a velocidade do vento e a música do motor.

O resultado foi uma figura feminina inclinada para a frente e com o véu esvoaçante às costas.

A estatueta original tinha o dedo indicador à frente dos lábios, sugerindo o segredo dos amantes, e recebeu o nome de The Whisperer (A Sussurrante).
Logo, o símbolo passou a ser cobiçado por outros proprietários de Rolls-Royce, levando a marca a encomendar ao mesmo escultor um ornamento semelhante para ser colocado acima do tampo do radiador de seus carros junto com as marcas RR.

Sykes criou então, ainda em 1911, The Spirit of Ecstasy (O Espírito do Extase), tendo como modelo a mesma Miss Thornton.

O escultor negociou com a Rolls-Royce, cedendo sua criação à marca, sob a condição de que ele tivesse exclusividade na produção das estatuetas.
Na época, elas eram produzidas uma a uma, pelo processo de cera perdida, e banhadas em prata.

Era um acessório opcional, mas a partir de 1939, tornou-se padrão em todos os Rolls-Royce.

Até 1951, traziam a assinatura do escultor Sykes. Hoje, as estatuetas são produzidas em níquel polido.
Eleanor velasco Thornton, inspiradora do ícone da Rolls-Royce
A história da mulher que serviu de musa teve um final trágico.

Em 1915, numa viagem com o amante Lord Montagu rumo à índia, o navio em que viajavam foi torpedeado por um submarino alemão.

Montagu salvou-se, mas ela faleceu no naufrágio.

Em 2011, a Rolls-Royce Motor Cars designou um dos mais renomados fotógrafos do mundo para um projeto inédito.

Através das lentes de John Rankin Waddell, o ícone dos tradicionais carros britânicos ganha uma interpretação moderna e original.

Numa atmosfera de beleza e sensualidade e captando toda a força da marca, uma série de fotos artísticas transporta The Spirit of Ecstasy ao horizonte do século XXI.
"Este é um dos maiores projetos que eu já trabalhei", comentou Rankin. "As imagens mostrarão um Rolls-Royce atual e passarão uma sensação de modernidade, direção e originalidade embora bonitas e inspiradoras. Os retratos englobarão diversas perspectivas incluindo o comprimento total assim bem como enquadramentos aproximados incorporando características faciais - um olho, uma boca - para refletir uma interpretação única de conotações da estatueta, enquanto que simbolizando calmamente as suas bases clássicas".

terça-feira, 9 de agosto de 2011

O primeiro automóvel de Fortaleza

O primeiro automóvel chegou por aqui em 28 de março de 1909, vindo dos Estados Unidos pelo vapor inglês “Cearense”.

Era um automóvel da marca “Rambler” usado, comprado pela Empresa Auto Transporte, de propriedade do Dr. Meton de Alencar e de Julio Pinto, adquirido por 8:000$000. (Creio que o valor seja oito mil Réis).

Após o desembarque na alfândega, como ninguém soubesse dirigir, o veículo foi puxado por um jumento no trajeto entre o prédio da alfândega até o edifício do Cinema Júlio Pinto, localizado na Rua Major Facundo n° 64, acompanhado por uma verdadeira multidão de curiosos, que se formou ao redor do veiculo e do jumento.

Depois de muito pesquisar o motor, dois intrépidos cidadãos aprenderam a dirigir e quando saíam para a via pública, eram sempre alvos de curiosidade por parte da população.

Nessas viagens quase sempre o carro enguiçava, sendo preciso desmontá-lo em plena rua para consertá-lo. Como o motor estava localizado sob o veiculo, era necessário arrancar a carroceria todas as vezes que isso acontecia.

Certa vez perdeu-se a tampa do radiador na estrada de Messejana, e o proprietário anunciou no jornal que gratificaria a quem a encontrasse e devolvesse. Movimentou-se então uma multidão de populares em busca da peça, mas como ninguém sabia o que seria uma tampa de radiador, foram levados ao proprietário, todos os tipos de objetos de ferro que puderam ser encontrados naquela estrada, inclusive, até camburões de ferro.

Depois de um tempo, de tanto rodar, os pneus ficaram gastos e precisaram ser substituídos, mas onde encontrá-los? Improvisaram então umas rodas de madeira com aros de ferro, que faziam uma barulheira infernal nas pedras de calçamento.

Apesar dos percalços, esse carro conseguiu fazer diversas viagens a Messejana, e de certa feita, foi até Canindé, durante as festas religiosas. Seguiu de Fortaleza até Itaúna dentro de um vagão da E.F. de Baturité, e daí em diante rodando por uma estrada improvisada, levou um dia inteiro até chegar a Canindé.

Em certa ocasião ao trafegar na Avenida do Imperador, ao desviar-se de um pedestre, o carro foi de encontro a um muro, derrubando-o. Esse foi o primeiro acidente de trânsito da história da cidade.

Extraído do livro “Coisas que o Tempo Levou” de Raimundo de Menezes

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

GORDINI EM INTERLAGOS - 50.000KM EM 22 DIAS

Aconteceu em 1964, no Autódromo de Interlagos, São Paulo.

Durante 22 dias, um Gordini original, escolhido ao acaso na linha de montagem, rodou quase que ininterruptamente numa prova de resistência que representou um recorde mundial na época.

Se revezando ao volante, os ases da vitoriosa Equipe Willys.

Teve de tudo: chuvas torrenciais, capotagem, cavalos na pista... Mas no final o bravo Gordini conseguiu cumprir sua missão.

Nada mal para um carro que foi apelidado de Leite Glória: aquele que desmancha sem bater.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Os carros "zero" de 27 anos de idade!

As linhas e as fotos a seguir contam uma história surreal, algo que certamente não se encontra muitas vezes na vida. É a história de Jens Sorensen, um dinamarquês que por muitos anos foi revendedor de carros e caminhões da marca Fiat em seu país. Em 1981, a fábrica italiana pediu a Jens que optasse entre manter uma revenda de carros ou uma de caminhão, não as duas, Jens optou por manter a revenda de caminhões, e parou de vender automóveis.

Em 1981, quando precisou optar entre carros e caminhões, a concessionária assumiu a marca Iveco, que é a marca de caminhões da fábrica italiana

Aqui vem o fato surreal, quando Jens parou de vender os automóveis, ele tinha cerca de 200 deles em estoque. Ele não "desovou" o estoque, simplesmente encostou em um canto da revenda, que assumiu a marca dos caminhões Fiat, que é Iveco, até que em 1986, quando ele construiu outro prédio, para a revenda, e simplesmente fechou a antiga com todos os 200 veículos dentro!

Como os carros foram encontrados...

Ano passado, aos 92 anos, Jens faleceu. Seu filho, Kjeld, "descobriu" então o tesouro que seu pai havia simplesmente ignorado. São pelo menos 200 automóveis, entre usados e zero quilômetros, principalente das marcas Fiat e Lancia. Os carros estão atualmente sendo vendidos por preços que variam entre €600 e €6500. Um detalhe bizarro, na revenda existem vários Fiat 127, zero quilômetros (marcando entre 10 e 30km no odômetro), mas que não podem ser vendidos para uso já que não podem mais ser registrados no departamento de trânsito, por não obedecerem às regras vigentes de emissão de poluentes!

Na extensão da postagem mais fotos.

Os Fiats 127, zero quilômetro, que não podem ser registrados

Odômetro de um dos veículos, marcando apenas 12Km

Planeta Fusca

domingo, 27 de julho de 2008

Trambolhos voadores


Ontem fez 100 anos da primeira corrida de automóvel da América do Sul. A prova foi disputada em São Paulo, num trajeto de 75 km com largada do Parque Antártica. As corridas aconteciam em ruas e estradas públicas mesmo, não havia autódromos. Os carros seguiram até Itapecerica da Serra, de lá para Santo Amaro, passaram pelas Avenidas Brigadeiro Luís Antônio, Paulista e retornaram ao local de partida. Venceu Sylvio Penteado.

Quem quiser reviver um pouco dessa história (e tiver disposição para acordar cedo), amanhã, domingo, haverá um evento comemorativo para celebrar a data. Começa às 9h no Parque Antártica. Até o Vigilante Rodoviário estará lá, além de alguns consagrados pilotos brasileiros. O circuito de amanhã terá 7 km e passará pelas avenidas Sumaré, Brasil, Brigadeiro Luís Antônio, Paulista e terá chegada na Praça Charles Miller. Entre as atrações haverá um Peugeot 1908, um Fiat 1927 e um Packard 1923.

A primeira da história
Apenas catorze anos antes da prova paulistana ocorreu a primeira corrida da história. Os dados não são lá muito confiáveis, mas o evento teria acontecido na França, entre Paris e Rouen, dia 22 de julho de 1894.

Certo mesmo é que o primeiro Grande Prêmio, o bisavô das provas de Fórmula 1 que assistimos hoje (com os carros percorrendo o mesmo trajeto determinadas vezes) aconteceu em 1906, novamente na França, mas na região de Le Mans. O circuito tinha 102,6 km de extensão e a prova foi dividida em dois dias (616 km por dia !). Cada volta durava cerca de uma hora e um dos grandes problemas dos pilotos era a poeira.

Participaram 34 carros. Pesando no máximo 1.007 kg (esses 7 kg a mais eram o peso de um gerador elétrico), eram uns trambolhos para os padrões de hoje. Apesar de terem quatro cilindros, os motores dos carros eram enormes, com 12 litros de cilindrada na média. Um Panhard tinha 18,2 litros (!!). O menorzinho era um Gregoire, com 7,4 litros. A potência, no entanto, era pífia, em torno de 50 cv. E o piloto corria com o ajudante, um mecânico faz-tudo que o ajudava a trocar pneus e fazer todo tipo de manutenção no carro.

Entre as estrelas presentes estavam Vincenzo Lancia (fundador da fábrica italiana), Count Florio (inspirador da prova Targa Florio) e Fernand Gabriel, vencedor da prova Paris-Madri de 1903 (lembrem-se, não eram grandes prêmios).

Ao final, depois de 1.232 km, 12 horas e à velocidade média de 100 km/h, o vencedor foi o húngaro Ferenc Szisz a bordo de um Renault. Seu grande trunfo, além da perícia ao volante, foram os pneus Michelin, que tinham um sistema revolucionário: aros removíveis. Isso permitia a troca em até 5 minutos, enquanto os pneus "normais" eram substituídos em cerca de 15 minutos. O segundo colocado no primeiro dia trocou 14 pneus durante as seis voltas. Tomou duas horas e meia de Szisz. 11 carros terminaram a prova.
Revista do Carro