O Volkswagen Gol ganha mais uma série especial a partir deste mês. Batizada de Black Gol, a versão será limitada a 800 unidades mensais que serão fabricadas até junho e estarão disponíveis com motor 1.0 de 74 cv de potência.
Como o nome já indica, o Black Gol conta com a cor preta em praticamente toda sua estrutura. Por fora, os retrovisores, maçanetas, frisos laterais e spoiler traseiro vêm na cor Preto Ninja. Já a região da placa traseira é recoberta com uma película adesiva, material que se repete nas colunas laterais. Até mesmo os faróis são escurecidos, enquanto que as rodas aro 14 são cinza.
O interior conta com teto, bancos (que recebem o logotipo da série nos encostos dianteiros, bem como as soleiras das portas) e revestimento em preto. Entre os itens de série do Volkswagen Black Gol estão direção hidráulica, banco traseiro rebatível, chave canivete sem controle remoto, rádio, computador de bordo I–System e preparação para som com seis alto-falantes.
Tanto internamente quanto externamente, o visual do modelo, que já se prepara para uma reestilização, é de bom gosto.
O preço do modelo parte de R$ 34.320.





Da geração anterior, só ficaram o consagradíssimo nome e os preços. O modelo 1.0, antes vendido a R$ 28 690, custa agora R$ 28 890, ou R$ 200 a mais que o Gol G4, que ficará ainda mais enxuto e continuará com 2 portas para fazer frente ao Fiat Mille na faixa inferior a R$ 25 000. A seguir vem a opção com módulo Trend (a Volks não a considera uma versão), que traz a mais a cobiçada chave canivete, maçanetas pintadas na cor do carro, faróis com dupla parábola, conta-giros e retrovisores na tonalidade preto ninja por R$ 29 825. O Gol 1.6 começa em R$ 32 290 (R$ 680 a mais), chega a R$ 33 235 com módulo Trend e atinge os R$ 36 420 no top de linha Power (R$ 240 mais caro), que conta com lanternas e faróis escurecidos, frisos, grade dianteira inferior e ponteira do escapamento cromados, direção hidráulica e volante com regulagem de altura e profundidade. Airbag, ABS e o computador de bordo I-System estão disponíveis como opcionais em qualquer uma das versões, que têm ótimas ofertas de equipamentos.
O motor 1.0 l bicombustível, agora batizado de VHT (Volkswagen High Torque, ou torque muito alto), é capaz de desenvolver 76 cv de potência a 5 250 rpm e 10,6 kgfm de torque a 3 850 rpm com álcool. Usando gasolina, os números caem para 72 cv e 9,7 kgfm nas mesmas rotações. O VHT 1.6 l leva o Gol a alcançar 104 cv a 5 250 rpm e 15,6 kgfm a 2 500 rpm com o combustível vegetal e 101 cv e 15,4 kgfm nessas faixas de giro abastecido com petróleo.
Mas essas mudanças só serão sentidas quando a chave for girada. Até aí, o impacto do nome Gol em um carro tão moderno fará com que a defasada geração anterior, lançada em 1994 – daí em diante, as mudanças foram apenas visuais, em 1999 e em 2005 –, não deixe saudade nem mesmo no maior dos saudosistas, que terá em mãos um carro inédito dos parafusos ao banco. Conheça a seguir ponto a ponto o primeiro Gol totalmente novo e veja em nosso teste como se comportam as versões 1.0 l e 1.6 l.
Motor transversal: mais espaço
A nova base permitiu a mudança da posição do motor de longitudinal para transversal, o que contou para mudar totalmente a natureza do hatch. “Conceitualmente, o novo Gol tinha de ser um carro compactado. Para isso, mudamos o motor de longitudinal para transversal, deslocamos o eixo dianteiro 24 mm para frente e trouxemos o traseiro outros 29 mm. Os bancos e o volante ficaram mais altos, o volume do porta-malas foi mantido em 285 litros e ganhamos muito espaço interno mesmo com o carro 32 mm mais curto”, explica Gerson Barone, chefe de design do projeto. De acordo com a Volks, a parte dianteira do teto subiu 7 mm, a traseira foi espichada em 17 mm e há 44 mm extras de espaço para os ocupantes do banco traseiro.
O acabamento também evoluiu. Os acionadores do vidro elétrico são do Polo e o volante com comandos do rádio é do Fox, ou seja, ele não nega as origens. A Volkswagen afirma, com orgulho, que as folgas entre as peças são de apenas 0,5 mm, índice que coloca o carro ao lado do Phaeton, modelo mais luxuoso da fábrica de Wolfsburg. Não há como comprovar se há exagero na dose, mas a precisão na montagem realmente merece destaque.
Mais prazer na condução
A dirigibilidade também está anos-luz melhor. Esqueça a levantada da dianteira em acelerações e os “mergulhos” excessivos nas frenagens. O Gol agora se comporta tão bem quanto um Fox nessas condições e ainda faz curvas melhor que rivais como Corsa e Palio. A suspensão é silenciosa e não deixa a carroceria inclinar demais, como na geração anterior, que passava insegurança em curvas rápidas.
Debaixo do capô estão os motores que, junto à plataforma, alinham o Gol aos modernos hatches da família Volkswagen. Na nova geração, a marca adotou o EA111 1.0L TF VHT, que recebeu alterações no filtro de ar, coletor de admissão, correia dos periféricos, comando de válvulas, pistões, anéis, bielas, bronzinas, ECU (unidade de comando) e transmissão. O propulsor ainda adotou o chamado KKM (coletor de escape e catalisador integrados). Com isso, ganhou 5 cv com álcool em relação à geração anterior. Mesmo assim, o Gol 1.0 l não faz milagre. Os números da Volkswagen apontam aceleração de 0 a 100 km/h em 12s9. Na pista, porém, o modelo gastou 18s3, resultado regular.
O 1.6 l, batizado de EA111 1.6L TF VHT, teve alterados filtro de ar, correia dos periféricos, comando de válvulas, pistões, coletor de escape e catalisador, ECU e transmissão. As mudanças renderam 1 cv rodando com combustível vegetal. Apesar do bom desempenho na aceleração de 0 a 100 km/h, feita em 12s4, os números ficam longe dos otimistas 9s6 alardeados pela Volkswagen. Já a frenagem de 100 km/h até a imobilidade (a unidade testada estava com ABS) foi feita em ótimos 40,2 m. O 1.0, sem o recurso antitravamento, parou em 45,8 m.
A retomada de ambos foi regular. Para ir de 40 km/h a 100 km/h em terceira marca, o modelo de entrada gastou 16s2, enquanto o top de linha cumpriu a prova em 12s2. Mas o câmbio, agora com engates secos e certeiros acionados a cabo (nunca é demais mencionar que eles são parecidíssimos com os de Fox e Polo), compensa e funciona muito bem com qualquer um dos propulsores. Com uma tocada bem parecida à dos “irmãos maiores”, o Gol voltou, enfim, a dar prazer ao motorista.
Design e acabamento
Com a frente parecidíssima à do Tiguan, um dos modelos que mais segue a nova identidade visual da marca no mundo, o Gol impressiona principalmente quando colocado ao lado de outros carros. Afirmar se as linhas vão agradar ou não ainda é muito arriscado diante de uma escolha tão pessoal, mas o fato é que ele traz no design da carroceria a etiqueta de modernidade que o diferencia dos demais.
Seguro e mercado
Na apresentação do modelo, um quadro de cotações comparativo com o Fiat Palio 1.0, principal rival do Gol, foi mostrado. Enquanto o valor do prêmio ficava em R$ 1 411 pela Porto Seguro para o Volks, a mesma apólice saia por R$ 2 595 para o carro feito em Betim, MG. A Mapfre cobrava, respectivamente, R$ 1 498 e R$ 1 533. A Sul América apresentava orçamentos de R$ 2 037 e R$ 2 094. Pode até ter demorado, mas, com essa comparação, a Volkswagen mostrou quem deve temer o novo Gol. Ele vem com tudo.
FICHA TÉCNICA – VOLKSWAGEN GOL 1.0 VHT Total Flex