quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Pensando nelas, montadoras agregam cor-de-rosa a carros

Foi-se o tempo das piadinhas sobre mulheres ao volante. Pelo menos no Japão, onde elas têm ganhado cada vez mais espaço nas ruas. Hoje, entre 30% e 40% dos que possuem habilitação no arquipélago são mulheres. As montadoras, é claro, já perceberam o potencial deste mercado e apostam alto neste público. Não é raro ver pelas ruas do Japão veículos, na grande maioria minicarros – ou kei jidosha, como são chamados – voltados exclusivamente a elas.

No Salão do Automóvel de Tóquio, que vai até dia 11 de novembro, os carros projetados especialmente para as mulheres estão em destaque. No estande da Suzuki, por exemplo, os carros-conceito disputam a atenção com os modelos da Wagon R. O lançamento da linha é o Stingray, que chegou às ruas do Japão no primeiro semestre deste ano. Ele possui porta-copos, gancho para sacolas nas costas dos bancos dianteiros, porta-luvas espaçoso, entre outros acessórios.

Ainda, para agradar o público feminino, retirando-se o assento do banco do passageiro há uma espécie de cesto. Além disso, deitando o encosto, o banco vira uma espécie de mesinha. Ou, como sugere o responsável pela divisão de design, a motorista ganha mais espaço para trocar botas e sapatos. Para completar, o banco do motorista é ajustável – para cima e para baixo – assim como a altura do cinto de segurança.
Futilidade? Não para elas, que adoram os “mimos” e ajudam a Suzuki a liderar o segmento, a frente da Daihatsu e da Mitsubishi. O setor comemora as vendas, que só têm crescido nos últimos anos. Enquanto os automóveis tradicionais amargam uma queda de 6% ao ano nas vendas, os minicarros crescem 2,5%. Em 2006, pela primeira vez na história, a venda dos kei jidosha alcançou 35% do mercado, acima dos 24% registrados há uma década.

Segundo a assessoria de imprensa da Suzuki, um dos fatores que levou a montadora a investir neste mercado é o fato de as mulheres estarem cada vez mais independentes. Elas trabalham mais e têm o próprio dinheiro. Por isso, a empresa não esconde de ninguém que faz carros pensando somente nas mulheres. Isso não quer dizer que os homens não usem a marca. Pelo contrário, ele é o preferido também de jovens e maridos, diz o responsável pela assessoria de imprensa.

Já a Nissan é direta: os carros não são para um só público. “Fazemos veículos com design para ajudar o consumidor, seja ele quem for”, explica Akihiko Sekiguchi, gerente do departamento de planejamento de produtos. Mesmo assim, ele confessa que alguns detalhes nos carros, como cores e acessórios, são pensados para o público feminino.

Sekiguchi cita alguns modelos que caíram no gosto das mulheres: Moco, March e o Pino. Este último, cujo nome foi inspirado em Pinóquio, tem os bancos revestidos com um tecido mais chique, um design frontal diferenciado e a calota inspirada em um floco de neve.
Outra montadora que não admite publicamente que faz carros para as mulheres, mas “inventa” acessórios para elas é a Honda. O carro mais popular da marca entre elas é o Fit. Segundo o engenheiro-chefe Kohei Hitomi, as mulheres são responsáveis por cerca de 50% das vendas do modelo. “Mesmo com esse sucesso todo, não vendemos o Fit como se fosse um carro feminino”, diz. Entre as “vantagens” para as motoristas estão o banco e a direção ajustáveis, porta-copos, porta-luvas espaçoso e muitas cores para se escolher.

Os kei jidosha
Para ser considerado um minicarro, os motores têm de ter no máximo 660 cilindradas e as dimensões não podem ultrapassar 3,5 metros de comprimento, 1,5 metro de largura e 2 metros de altura. Além da vantagem de ganhar espaço, principalmente nas grandes cidades japonesas, os proprietários pagam impostos e pedágios mais baratos.

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